
O programa Mais Médicos receberá nos próximos dias cerca de 1,5 mil novos profissionais para atuação no Sistema Único de Saúde (SUS), em diversos municípios do país. Em entrevista ao CB.Poder — parceria entre Correio Braziliense e TV Brasília — o secretário de Atenção Primária à Saúde do Ministério da Saúde, Felipe Proenço de Oliveira, avaliou os bons resultados da iniciativa, que recentemente completou 10 anos.
A ampliação chegou a 82% dos municípios brasileiros: “O dado mais importante é que, naqueles lugares mais vulneráveis, que têm maior necessidade da saúde da família e maior necessidade da presença do médico, 60% dos médicos dessas cidades são do programa Mais Médicos.”
Na avaliação de Oliveira, o programa passou por momentos de descaracterização, o que ocasionou uma diminuição do número de participantes, que chegou a preocupar o Ministério da Saúde. “Talvez o dado que mais represente essa preocupação é que, no início do ano passado, mais de 5 mil equipes de saúde da família estavam sem um profissional médico”, afirmou.
Entre os resultados, destacam-se o aumento na cobertura da atenção primária, com a redução de óbitos evitáveis e uma economia de R$ 30 milhões em internações no SUS. Além disso, houve uma redução modesta na taxa de mortalidade infantil em municípios com indicadores mais elevados antes do programa.
“Isso demonstra o acerto da política pública de garantir a presença desse profissional nos lugares onde há mais necessidade, sejam municípios de menor porte, seja nas grandes cidades e suas periferias, onde é fundamental contar com a presença desse profissional”, destacou o secretário.
De acordo com a pasta, a média de permanência do médico em uma equipe de Saúde da Família chega a no máximo 11 meses em cada localidade. A média de permanência histórica do Mais Médicos já é maior, em torno de um ano e nove meses. O período de pelo menos dois anos é considerado fundamental para conhecer a comunidade e desenvolver ações.
Indígenas
O projeto chegou até as comunidades indígenas Yanomamis com 29 profissionais atuando nos territórios indígenas. Os profissionais alocados passarão por capacitação na próxima semana junto ao Ministério da Educação para o uso de um novo remédio para malária, com dose única. “Houve um crescimento importante no âmbito geral da saúde indígena”, destacou o chefe da Atenção Primária.
Outra frente que deve impulsionar o programa são os investimentos do Novo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) na saúde primária brasileira e a criação das Unidades Odontológicas Móveis, que irão democratizar a saúde bucal em localidades mais remotas e necessitadas.
“Naquelas unidades rurais mais distantes, vai a van com o consultório dentário para que se possa realizar o atendimento daquela população. Volta a se ter um investimento na estrutura para o atendimento da atenção primária à saúde.”
(Fonte: Correio Braziliense)














