
A tecnologia 5G consiste em muito mais do que um sinal diferenciado de satélites e transmissores que permite uma conexão em rede mais acelerada. O 5G é uma tecnologia de internet (telecomunicações) com elevado potencial de processamento e transmissão de dados, alto padrão de velocidade e estabilidade de rede, com capacidade de sustentar conexões simultâneas.
Esta tecnologia pode viabilizar a expansão do uso da Internet das Coisas (IoT), a interconexão entre sistemas e sensores, e a expansão do uso da Inteligência Artificial (IA). No Brasil, o 5G terá a sua primeira concessão realizada no primeiro semestre deste ano, cabendo à Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) conduzir e executar os leilões para as empresas do setor implementarem esta tecnologia no país.
A regulação das telecomunicações é determinada pelo governo federal, contudo, compete aos municípios especificarem a regulação de licenciamento para a instalação da infraestrutura de telecomunicações (variados tipos de antenas e retransmissores). Diante da conurbação das cidades, originando áreas urbanas transmunicipais – como a Região Metropolitana de Vitória – e das concessões de licenças serem feitas individualmente por cada cidade, surge a necessidade de uma coordenação supra municipal, capaz de comandar a criação de condições para a implementação do 5G e viabilizar os investimentos nesta tecnologia.
O governo estadual é o ente estatal com essa capacidade, podendo assumir a coordenação institucional deste plano, visando à modernização e harmonização da regulação dos municípios das regiões urbanas e a racionalização da infraestrutura de telecomunicações nas cidades capixabas.
Logo, o 5G depende primeiramente da criação das condições regulatórias para a sua implementação, uma vez que essa tecnologia tem exigências espaciais específicas de instalação resultantes da necessidade de mais equipamentos para retransmissão nas regiões urbanas. Além disso, é preciso apresentar um ambiente regulatório atraente aos investimentos das empresas do setor de telecomunicações, que garanta segurança jurídica e a possibilidade de expansão da rede.
Para a implementação do 5G, o Estado tem ainda como tarefa a definição dos segmentos prioritários para utilizarem a tecnologia. No Espírito Santo, a indústria deveria ser priorizada, fornecendo-se assim mais um instrumento para a automação e uso da Inteligência Artificial em larga escala, aumentando a atratividade do Estado em decorrência do salto de competitividade proporcionado pelo 5G e tecnologias digitais que o utilizam.
A população da Região Metropolitana de Vitória seria beneficiada conjuntamente, pois indústria e população capixaba estão concentradas na mesma região urbana. O ES tem essa vantagem, beneficiaria simultaneamente com o 5G a indústria e a população urbana capixaba, fazendo a expansão gradativa da tecnologia para as outras áreas do estado.
No setor industrial, a automação poderia ser ainda mais rápida por meio do uso do 5G, com máquinas atuando de forma mais precisa e acelerada, consequência da velocidade e baixa latência do 5G (maior estabilidade), tendo à disposição uma rede de internet que permitirá a interconexão entre unidades produtivas, máquinas e computadores, ampliando o controle da produção e a sua eficiência.
Para a população capixaba, o 5G pode proporcionar serviços públicos de maior qualidade ao permitir um acelerado cruzamento de informações para a ação do Estado em segurança, saúde, oferta de eletricidade, combate a desastres naturais e oferta de informação via sistema de educação das escolas no Estado, além de permitir ao capixaba o acesso aos recursos digitais mais modernos do mundo.
Já existem empresas interessadas em ser pioneiras na implantação do 5G no Brasil. O Espírito Santo pode assumir o papel de Estado precursor na implantação da infraestrutura para esta tecnologia, sendo o criador do ambiente adequado às inovações digitais disruptivas, gerador de competitividade. Para tanto, é necessária a coordenação institucional para que seja criada uma regulação harmonizada nas cidades capixabas e a racionalização da infraestrutura para o 5G no Espírito Santo.
Fonte: A Gazeta














