
A colheita do café, principal produto do agronegócio do Espírito Santo, está começando com os preços apontando para baixo. A saca de 60 quilos do conilon tipo 7, nesta segunda-feira (27), estava valendo R$ 880,00, de acordo com a Cooabriel, maior cooperativa de café conilon do Brasil. Em 31 de dezembro, a mesma saca estava em R$ 1.220, portanto, uma desvalorização de 27,8% em apenas quatro meses. O arábica vem na mesma toada. O bebida dura, no final de dezembro, de acordo com o Centro do Comércio de Café de Vitória, estava sendo comercializado a R$ 2.100, no dia 24 de abril, fechou em R$ 1.716, queda de 18,3%. O bebida rio, no mesmo período, foi de R$ 1.559 para R$ 1.188: desvalorização de 23,8%. A confirmação de boas safras nos grandes produtores mundiais – Brasil e Vietnã principalmente – fizeram com que a pressão sobre os preços, que foi a tônica dos últimos anos, encolhesse. Trata-se de um movimento mundial.
O banco Itaú BBA está estimando uma safra de 69,3 milhões de sacas (conilon e arábica somados) para este ano no Brasil, que é o maior produtor do mundo. Alta de 10,1%. De acordo com a instituição, o arábica deve entrar com 44,8 milhões de sacas, expansão de 18% na comparação com 2025, e os canéforas (conilon e robusta) devem fazer 24,5 milhões, encolhimento marginal de 2%. O Espírito Santo responde por 70% da produção brasileira de canéfora.
A gigante norte-americana StoneX, especialista no monitoramento de safras agrícolas, acredita em um recorde histórico na produção de café no Brasil: 75,3 milhões de sacas de 60 quilos, sendo 50,2 milhões de arábica e 25,1 milhões de conilon. Expansão de 20,8% em relação à colheita passada. Especificamente em relação ao Espírito Santo, a expectativa é de que a produção de conilon caia de 19,2 milhões para 16,9 milhões de sacas (-12,2%) – o crescimento da produção em Rondônia e Bahia impedirão a queda do conilon no país. Em relação ao arábica, estima-se uma colheita de 3,6 milhões de sacas, 20,2% acima do ano passado.
Importante frisar que o ambiente segue sendo de volatilidade, principalmente depois do início da guerra no Oriente Médio, no final de fevereiro. A região, além de enorme produtora de combustíveis e fertilizantes, é uma rota comercial relevante. Por ora, a guerra não estrangulou as rotas, o que impactaria fortemente os preços, mas nada garante que seguirá assim.
(Fonte: A Gazeta)











