
O setor cafeeiro no Brasil enfrenta atualmente retração nos preços, especialmente para o café conilon, após picos históricos. O Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) destacou que, em abril, os preços do café apresentaram elevada volatilidade, mas o movimento que tem prevalecido é o de queda, sobretudo para o robusta.
Na parcial do mês (de 1º a 20 de abril), o Indicador Cepea do robusta do tipo 6, peneira 13 acima, a retirar no Espírito Santo – segundo maior produtor de conilon do Brasil, registrava média de R$ 903,90 por saca de 60 quilos, a menor desde março de 2024, quando foi de R$ 892,73, após valores corrigidos.
Na análise da entidade, a pressão sobre os valores está relacionada à colheita – sendo que as atividades envolvendo o robusta já estão mais próximas de ganhar ritmo do que as do arábica. Também destacou como causadores da queda o conflito entre os EUA e o Irã, e o preço do dólar, também em queda.

No caso do arábica tipo 6, bebida dura, o Indicador Cepea, posto na capital paulista, apresentou no período média de R$ 1.824,91 por saca de 60 quilos, 4,6%, inferior a do mês anterior, e a menor desde julho do ano passado, período de plena safra nacional.
Para o presidente do Sindicato de Corretores de Café do Espírito Santo, Marcus Magalhães, é preciso voltar no tempo para compreender a queda no preço da saca do café neste momento.
“Por volta de 2023, ocorreram problemas produtivos com grandes concorrentes, como o Vietnã e a Indonésia. No período, também ocorreram problemas logísticos em razão de conflitos no Oriente Médico, especial a Faixa de Gaza. Estava complicado trazer o café do Vietnã pelo Canal de Suez, visando chegar à Europa”, contou.
Magalhães também lembrou que, neste período, o dólar chegou a R$ 6,30, enquanto há duas semanas a moeda americana chegou a R$ 4,70. O empresário destacada ainda a bem sucedida safra de 2025, em comparação a do ano anterior, que foi inferior.
“Era previsível que o mercado iria cair, porque os fatores que provocaram a alta anterior, já não existem mais. Mas de qualquer maneira, o que vale a percepção de que o que paga a conta do produtor é a margem. A margem é a diferença entre custo e preço de venda. Então, se a gente analisar a margem que existe hoje, entre conilon e arábica, elas ainda são positivas”, conclui.
(Fonte: ES Brasil)











