
Com o avanço da tecnologia e a busca por alternativas sustentáveis de mobilidade, as bicicletas elétricas têm ganhado cada vez mais espaço no Espírito Santo. Estima-se que cerca de 9 mil bikes elétricas estejam circulando pelas ruas da Grande Vitória, o que acompanha uma tendência nacional de crescimento no setor.
O vereador de Vitória, Aylton Dadalto, responsável pelo Projeto de Lei da regulamentação de bicicletas elétricas, informou que, até o final do mês de maio, eram nove mil desses veículos no ES. Não há dados oficiais sobre a quantidade desses veículos no ES.
Segundo a Associação Brasileira do Setor de Bicicletas (Aliança Bike), o Espírito Santo segue o mesmo ritmo de crescimento observado nas principais capitais do país. O cenário é impulsionado principalmente pelos altos preços dos combustíveis, trânsito cada vez mais congestionado e pela busca por soluções mais práticas no deslocamento diário.
Mercado aquecido e com boas perspectivas
Desde 2018, a Aliança Bike realiza a Pesquisa Anual de Comércio Varejista de Bicicletas, que mostra as mudanças e tendências nas lojas de bicicletas do país. Em 2025, mais de 300 lojistas participaram da pesquisa. Os dados apontam crescimento na procura por bicicletas elétricas, apesar de um leve recuo na proporção de lojas que vendem esses modelos: de 50% em 2023 para 47% em 2024.
Em 2022, foram estimadas 44.833 unidades de bicicletas elétricas para 2023 no Brasil. O crescimento, no entanto, foi de 12%, abaixo da estimativa conservadora de 19%.
“Mais de 60% das lojas tiveram faturamento de até R$ 500 mil e 19% acima de R$ 1 milhão”, aponta o estudo. Metade das lojas está na região Sudeste. Quase 30% foram abertas nos últimos cinco anos e a idade média das empresas é de 17 anos.
Importações e cenário capixaba
Dados do setor apontam que Espírito Santo, Santa Catarina e Amazonas concentram 82% dos valores gastos com a compra de componentes internacionais (R$ 203 milhões). O Espírito Santo, portanto, aparece como um dos principais polos de importação do setor, com destaque para o volume de componentes recebidos.
Entre 2023 e 2024, houve aumento de 85% na quantidade de quadros importados e o valor gasto com esse item subiu US$ 10,6 milhões. Os principais fornecedores são China, Taiwan, Vietnã e Portugal, que respondem por 99% das importações.
As exportações cresceram 5% no mesmo período, e o volume de bicicletas exportadas aumentou 127%, com crescimento de 56% no valor dessas transações — o que pode indicar a venda de produtos de menor valor agregado. Argentina, Paraguai e Uruguai são os principais destinos das bikes brasileiras.
No Espírito Santo, o setor segue em expansão e já movimenta negócios, empregos e mudanças no trânsito urbano. A expectativa é de que o número de bicicletas elétricas continue aumentando nos próximos anos, com maior integração às políticas de mobilidade urbana.
Perfil de consumo e preço

O modelo de bicicleta mais vendido custa entre R$ 1.500 e R$ 3.000. A venda de bicicletas inteiras ainda é responsável por 44% do faturamento das lojas. Já para os estabelecimentos menores, os serviços de mecânica e revisão são mais relevantes.
“Mais da metade dos lojistas afirmou que o faturamento cresceu entre 2023 e 2024, mesmo com uma visão pessimista sobre a economia nacional para 2025”, destaca o levantamento.
Quanto custa investir em uma bike elétrica?
Para os interessados em ter uma bicicleta elétrica, o mercado oferece opções para diferentes perfis de uso e faixas de preço. Entre as marcas mais procuradas estão Sense, Caloi, Two Dogs, Lev, Pedalla e Atrio. Os valores variam de R$ 4 mil a mais de R$ 15 mil, dependendo do modelo, autonomia da bateria e tecnologia embarcada.
Há ainda um mercado crescente de bikes usadas, reformadas e opções importadas. Quem quer experimentar antes de comprar pode usar os serviços de bicicletas por assinatura, oferecidos em alguns sistemas de compartilhamento urbano.
Falta de regulamentação e atenção com o uso
Apesar da popularidade, o uso das bicicletas elétricas ainda carece de regulamentação mais clara. Atualmente, não é exigida habilitação para conduzir a maioria dos modelos, desde que a potência do motor não ultrapasse 350 watts. Modelos mais potentes, considerados ciclomotores, devem seguir as regras do Código de Trânsito Brasileiro, o que inclui emplacamento, uso de capacete e CNH do tipo A ou ACC.
Segundo o Conselho Nacional de Trânsito (Contran), as bicicletas elétricas devem ter velocidade máxima de até 42 km/h quando usadas em práticas esportivas, ou 32 km/h para circulação convencional.
O uso por crianças e adolescentes também tem levantado alertas. Especialistas reforçam a necessidade de supervisão dos pais, uso de equipamentos de segurança e o conhecimento das normas de trânsito.
(Fonte: ES360)














