
Mortes e destruição. Esse é o cenário de várias cidades do Sul do Espírito Santo após um forte temporal entre a noite de sexta-feira (22) e a madrugada de sábado (23). A tragédia no estado deixou aos menos 20 mortos, 7 desaparecidos e mais de sete mil pessoas fora de casa. O governo do estado decretou situação de emergência em 13 municípios.
A Defesa Civil Estadual divulgou o boletim nesta terça-feira (26) e uma hora depois atualizou o número de desaparecidos de seis para sete. Todos os desaparecidos são da cidade de Mimoso do Sul.
Muitas famílias perderam tudo. A força da água foi grande. Quebrou muros, derrubou paredes de residências, invadiu lojas, escolas e prédios públicos, arrastou carros e caminhões. Além de vidas perdidas, o prejuízo passa pela perda de roupas, móveis e documentos. Nos locais mais afetados, também há registros de falta de energia, água e até comida.
Serviços básicos foram atingidos, como postos de saúde e escolas. Cidades e comunidades também ficaram isoladas.
Durante o temporal, entre sexta e sábado, algumas cidades chegaram a registrar mais de 300 milímetros de chuva no acumulado de 24 horas, mais do que o dobro do que estava previsto para todo o mês de março.
Equipes da Defesa Civil estadual e também de cada município afetado ainda estavam, até esta segunda-feira (25), realizando resgates. Havia dificuldades em fazer levantamentos totais de estragos, isso porque em muitos locais o acesso ainda estava complicado.
Confira abaixo o ponto a ponto da tragédia da chuva no ES:
- Mortes
- Quem eram as vítimas?
- Desaparecidos
- Desalojados e desabrigados
- Rastro de destruição
- Serviços essenciais afetados
- Ajuda
Mortes
Mimoso do Sul foi a cidade mais prejudicada pela chuva. Por lá, foram ao menos 18 mortes. Outras sete pessoas estão desaparecidas no município, segundo a Defesa Civil estadual.
Entre os mortos que tiveram a identidade confirmada na cidade, cinco eram moradores de uma Casa de Idosos. São eles:
- Davi Gomes da Silva, 51 anos
- Gilda Hastenreiter Leite Chalito, 50 anos
- Ester Santanna dos Santos, 26 anos
- Flávia Barboza Almeida, 20 anos
- João Carlos Alves Ferreira, 58 anos
Além das vítimas da Casa de Idosos, as outras 12 vítimas identificadas são:
- Adair Antônia Fernandes Medeiros, 43 anos
- Leonardo Fernanes Medeiros de Souza, 6 anos
- Denise Beraldes Mendes
- Lorena Moraes Miguel, 17 anos
- Luzia Catarina de Souza Gonçalves
- Rosa Tome Poldi
- Antonio Marcos Fernandes de Souza
- Nelson Martins
- Rodrigo Moraes Miguel, 23 anos
- Sergio Luiz de Souza
- Regina Montella Vançato
- Denise Ramos Vançato
- Heloísa Cornélio Pastor, 8 anos
Já em Apiacá, cidade vizinha a Mimoso, duas mortes foram confirmadas. São elas:
- Clara Treggi Moutinho, de 87 anos
- José Ricardo de Oliveira Queiroz, 64 anos
Ainda segundo a Polícia Científica do estado, a vítima Ester Santána dos Santos e João Carlos Alves Ferreira não possuem familiares e estão aguardando liberação judicial para sepultamento.
A polícia não divulgou a idade de todos os mortos confirmados e orientou apenas que possíveis familiares compareçam ao local para iniciar o processo de checagem da identidade e liberação.
Em Mimoso do Sul, uma das mortes confirmadas é a de uma professora de 43 anos. Adair Antônia Fernandes Medeiros era professora de Português e Inglês na cidade e estava em casa com o marido e os dois filhos, um de 6 anos e outro de 3. O marido e o filho menor conseguiram ser resgatados e foram levados para hospitais.
O outro filho de 6 anos, Leonardo Fernandes Medeiros de Souza, estava desaparecido mas o corpo foi encontrado na segunda-feira e foi levado para o DML de Cachoeiro de Itapemirim.
Outra vítima identificada é Gilda Hastenreiter Leite Chalito, técnica de Enfermagem 50 anos. Ela morava na Casa de Idosos que foi alagada. Gilda chegou a enviar um áudio para os familiares falando sobre a chuva forte que caía na cidade, e comentou que os cuidadores levariam os hóspedes para a parte de cima da casa se a água entrasse no local.
“Aqui tá o maior temporal, com estalo e relâmpago. Aí eu perguntei a menina se encher o que eles fazem. Aí ela falou que pegam a gente e levam para a casinha mais alta, entendeu?”, comentou Gilda em um áudio para os familiares.
Em Apiacá, uma das vítimas é a aposentada Clara Tregges, de 87 anos. Ela morreu afogada dentro do quarto. Ela estava acamada porque sofreu um AVC e tinha Alzheimer. A água subiu muito rápido e a família não conseguiu tirá-la de casa a tempo.
O aposentado José Ricardo Queiroz também foi uma das vítimas na cidade. O homem de 64 anos morreu salvando uma tia, também acamada. Quando viu a água tomando conta da rua e entrando na casa da mulher, ele passou mal. Teve um infarto. E por causa do alagamento, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) não conseguiu socorrê-lo.
Desaparecidos
De acordo com o último boletim divulgado pela Defesa Civil estadual, até a tarde desta segunda, sete pessoas ainda estavam desaparecidas, e todas eram moradoras de Mimoso do Sul.
A família da professora Adair, que morreu em Mimoso, falou ao g1 que o filho da vítima, de 6 anos, estava desaparecido, mas a Polícia Civil não divulgou o nome das pessoas que ainda não foram localizadas.
Desalojados e desabrigados
Ao todo, 7.296 pessoas estão desalojadas (que foram para residência de familiares ou amigos) e 408 estão desabrigadas, isto é, perderam o imóvel e foram encaminhados a abrigos públicos nas cidades de Vargem Alta, Mimoso do Sul, Bom Jesus do Norte, Apiacá e Muniz Freire.
Em Vargem Alta, 269 pessoas estão desalojadas. O abrigo disponibilizado na cidade fica na Escola Presidente Lubecke.
Em Mimoso do Sul, 18 pessoas estão desalojadas e 12 desabrigadas. O abrigo disponibilizado para acolher as famílias fica na Igreja Assembleia de Deus, em Santa Cruz da Serra.
A cidade de Apiacá, mais da metade dos habitantes foi afetada. O município possui 7.223 habitantes, sendo que 4 mil estão desalojados e 332 desabrigados. No município, o abrigo disponibilizado fica na Escola Maria de Lourdes Alves e na Igreja Santa Terezinha.
Em Bom Jesus do Norte, três mil pessoas estão desalojadas e 64 desabrigadas. Os pontos de apoio para as famílias estão na Creche Tia Fátima e na Escola Municipal São Sebastião.














