
O novo coronavírus pode ter atingido milhões de pessoas durante o carnaval no Brasil, segundo mostra o estudo feito pelo administrador do Hospital Brsurgery, Roberto Carvalho Dias. As projeções apontam ainda que a fase aguda da Covid-19 irá terminar no dia 19 de maio no país.
Para chegar a conclusão de que o vírus se espalhou no carnaval, Roberto considerou diversos fatores. Um deles é que o primeiro caso confirmado da doença ocorreu no dia 26 de fevereiro, um dia depois do feriado de carnaval. Por conta disso, a pessoa infectada estaria ao menos de dois a 14 dias antes dessa data com o coronavírus, tempo que leva para que os primeiros sintomas apareçam.
Além disso, ele considera que 99% das pessoas são assintomáticas, por isso quando apareceu o primeiro caso provavelmente mais pessoas já estavam infectadas pelo vírus no Brasil. Essas pessoas, inclusive, foram para as ruas no carnaval e passaram para mais gente.
Outro fator que contribui para sua análise é que a primeira morte ocorreu no dia 17 de março, 30 dias depois da confirmação do primeiro caso, tempo suficiente para infecção, manifestação da doença e óbito do paciente.
“O primeiro contágio foi no dia 26 de fevereiro, se a pessoa tem até 14 dias para apresentar os sintomas, ela estava contaminada antes do carnaval. Se considerar que essa pessoa representa 1% das pessoas que estavam com o vírus, ela e os outros contaminados transmitiram a doença no carnaval, época de grande aglomeração”, diz.
Roberto acrescentou que pelas projeções até aqui realizadas, tendo como base o número de mortes, o fim da fase aguda da doença, ou seja, quando a curva desce, ocorrerá no dia 19 de maio, podendo se estender por mais 14 dias.
Isolamento
Roberto enfatizou que o isolamento social como é feito somente com os serviços essenciais funcionando não é a melhor forma de lidar com a pandemia. Para ele, o uso de máscaras, falta de contato na rua e melhoria da higiene são suficientes. Ele argumenta que as consequências dessa paralisação podem ser maiores que o número de mortes causados por ela.
“Toda morte é ruim e não queremos perder ninguém. Mas até agora, a Covid-19 representa apenas 1,8% dos óbitos no Brasil, enquanto isso crescem doenças com fatalidades maiores como cardiovasculares, cânceres, outras doenças respiratórias e a diabetes. Além daquelas que podem crescer futuramente causadas em consequência do isolamento, como suicídio, violência e desnutrição”, enfatizou.
Ele ressaltou ainda que muitos membros do poder público falam do colapso do sistema de saúde como algo novo, mas não é novidade que ele esteja sobrecarregado. “É natural que o sistema de saúde entre em colapso porque nos últimos anos houve uma subtração de leitos hospitalares e sucateamentos de hospitais”, contou.













