
O Conselho de Direitos Humanos da ONU aprovou ontem uma investigação internacional sobre possíveis crimes ocorridos nos 11 dias de conflito entre Israel e Hamas na Faixa de Gaza. A resolução também pede que uma comissão de especialistas estude as raízes das tensões, incluindo a discriminação e a repressão sistemática com base na identidade nacional, étnica, racial ou religiosa.
O texto foi aprovado com 24 votos a favor, 9 contra e 14 abstenções, incluindo a do Brasil. A investigação busca recolher provas e elementos que possam ser utilizados na abertura de um processo judicial e na identificação e julgamento de culpados. Segundo o texto da resolução, a impunidade antiga e sistemática minou todos os esforços para se chegar a uma solução justa e pacífica para a crise.
O chanceler palestino, Riyad al-Maliki, participou da reunião remotamente e acusou Israel de ter estabelecido um regime de apartheid com base na opressão do povo palestino e de seu deslocamento forçado. Ele também reivindicou o direito dos palestinos de resistirem à ocupação e disse que colonos israelenses deveriam estar na lista de terroristas.
O embaixador de Israel na ONU, Meirav Eilon Shahar, acusou o Hamas de ter iniciado o conflito e garantiu que seu país fará o possível para reduzir as tensões. Esta é a primeira vez que o Conselho de Direitos Humanos institui uma comissão com mandato indefinido. Em outros casos, como o da Síria, ele é renovado todos os anos.
O conflito entre Israel e o Hamas começou no dia 10. Os bombardeios israelenses contra Gaza mataram 254 palestinos, incluindo 66 crianças. O Hamas disparou mais de 4 mil foguetes e matou 12 pessoas em Israel.
A chancelaria de Israel afirmou que o país não cooperará com a investigação, que considera a comissão uma tentativa de encobrir os crimes cometidos pelo Hamas. (COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS)













