
O gás natural distribuído no Espírito Santo terá uma nova tarifa a partir de 1º de agosto. A ES Gás, concessionária responsável pelo serviço, e Arsp (Agência de Regulação de Serviços Públicos do Espírito Santo) estão negociando os novos valores sob olhares atentos dos grandes consumidores industriais. Depois de uma primeira rodada de conversas entre distribuidora e agência reguladora, o reajuste em cima da distribuição (uma parte da composição da tarifa) que está na mesa é de 56%. O aumento no preço final do gás seria 6,64%. A indústria deixou clara a sua insatisfação e a questão chegou ao governador Renato Casagrande, que tem até a próxima terça-feira (22), data em que o martelo precisa ser batido, para achar uma solução.
“O gás natural é um combustível de transição dentro do processo de descarbonização. É chamado assim porque, embora seja de origem fóssil, polui menos do que carvão e petróleo. A questão é que as empresas brasileiras já pagam mais caro do que a maioria de seus concorrentes e o gás também é mais caro que os demais combustíveis fósseis. A conta não está ficando de pé. Há um esforço pela descarbonização, mas tem de haver viabilidade econômica, sob pena de termos um retrocesso”, alertou o presidente da Federação das Indústrias do Espírito Santo, Paulo Baraona. “Não é o desejo, muito pelo contrário, queremos limpar a matriz, mas o gás precisa ser viável. Um aumento deste tamanho em cima de um combustível que já não é barato ameaça o trabalho de descarbonização da indústria do Espírito Santo”.
O Estado abriga fábricas que são intensivas na utilização de energia: Vale, Suzano, Samarco, ArcelorMittal, fabricantes de cerâmicas e metalúrgicas. Todas estão preparadas para o gás (que está em uso atualmente), mas voltarão para o carvão ou diesel se os preços ficarem salgados demais. A Findes ressalta que, de acordo com um estudo feito pelo BNDES, um preço estimulante do gás natural para uso industrial fica entre US$ 5 e US$ 8 por MMBtu (por milhão de unidades térmicas britânicas). Em dezembro de 2024, o preço praticado no Estado estava em US$ 16,60 por MMBtu, 25% acima do praticado na Bahia, por exemplo.
“Entendemos que há um planejamento forte de investimento por parte da distribuidora, mas precisa haver um equilíbrio. A situação atual, das tarifas anunciadas pelos Estados Unidos em cima do Brasil, pressionam ainda mais esses mesmos grandes consumidores de gás. É mais uma questão que precisa ser considerada em um contexto que é complexo. A indústria, que é a grande cliente do gás natural, espera que cheguemos a um bom termo”, finalizou o dirigente.
(Fonte: A Gazeta)














