
O Brasil é considerado internacionalmente como uma referência em florestas plantadas, graças aos resultados de produtividade que tem alcançado nos últimos anos. Em 2018, segundo o relatório da Indústria Brasileira de Árvores (Ibá), foram investidos R$ 6,3 bilhões em pesquisa e inovação, em florestas e na indústria. Estes investimentos possibilitam os resultados de produtividade média na casa de 36 m³/ha por ano para plantios de eucalipto e de 30,1 m³/ha ao ano, em plantios de pinus.
Uma classe profissional relativamente jovem – afinal a primeira turma de Engenharia Florestal se formou apenas em 1964 – está na linha de frente das empresas que utilizam a madeira como matéria-prima produtiva. Os engenheiros florestais são responsáveis pelas pesquisas necessárias para a otimização dos plantios, das operações de preparo de solo, colheita, transporte, entre tantas outras.
Mas as atividades possíveis não param por aí. Esses profissionais podem atuar em atividades técnicas ligadas à tecnologia da madeira, manejo florestal, paisagismo urbano, área ambiental e de conservação da natureza. Muitos engenheiros florestais atuam também em empresas que fornecem ao setor máquinas, equipamentos e insumos, utilizando o conhecimento técnico como base para oferecer aos clientes soluções mais adequadas.
Os jovens que se interessam pelo setor podem procurar por formação em 64 instituições de ensino, de acordo com o levantamento do Instituto Nacional de Estuados e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) a partir do Censo da Educação Superior no ano de 2018,
Histórias florestais
Uma das vantagens da história da graduação em Engenharia Florestal ser recente no país é a possibilidade de encontrar os profissionais que se formaram nas primeiras turmas na ativa, ainda dividindo experiências com profissionais que estão iniciando. “Após quase 50 anos de graduação, vejo com alegria o quanto nossa profissão se firmou. Lembro que colegas de outros cursos se surpreendiam com a desconhecida matéria ‘Ecologia’. Nós fomos os primeiros a estudá-la”, conta Manoel Francisco Moreira, que é proprietário da empresa que carrega o nome pelo qual ele carinhosamente é chamado pelos colegas do setor, a Chico Moreira Soluções Florestais.

Germano Vieira, diretor florestal da Eldorado Brasil
Foto: Rodrigo Dionisio/Frame
Foi a ligação do homem com a natureza que gerou o interesse do atual diretor florestal da Eldorado Brasil, Germano Vieira, pela profissão. “Minha decisão de optar pela Engenharia Florestal aconteceu há muito tempo, quando ouvi pela primeira vez a palavra ecologia. Nesse momento, escolhi o curso”, relembra.
O CEO da Duratex e também engenheiro florestal, Antonio Joaquim, relembra que, quando conheceu o projeto da Universidade Federal de Viçosa, logo ficou cativado. “Na época, tratava-se de uma graduação relativamente nova no país, e fui pesquisar mais a respeito sobre o que era e o que fazia um engenheiro florestal. Coincidentemente, o Brasil passava por um período no qual o debate sobre reflorestamento estava em alta. A união dos fatores me atraiu ainda mais e foi aí que tomei a decisão de me formar engenheiro florestal”, recorda.
Profissionais que estão há mais de 30 anos no setor conseguiram acompanhar a evolução da cultura florestal no país, que ainda é pequena, mas que há algumas décadas era inexistente. “O grande impulso se deu com o advento dos incentivos fiscais, na década de 1970. Como no Brasil um bom planejamento é as vezes uma falácia, a maioria das áreas foram plantadas longe da indústria; mas aí, ao final, resultou numa boa coisa, pois a indústria acabou indo atrás dos maciços e assim interiorizando o desenvolvimento. Mato Grosso do Sul e o oeste de Santa Catarina são bons exemplo”, justifica Chico Moreira.
Aliada à mudança de cultura, que também possibilitou a formação de profissionais e pesquisadores da área florestal, Antonio Joaquim destaca a importância do desenvolvimento tecnológico. “A mecanização, que começou nos anos 1990, hoje está cada vez mais refinada, computadorizada. Ferramentas como drones e computação aplicada, outrora inimagináveis, hoje são parte importante do desenvolvimento do setor e aumento da produtividade das operações”.
A tecnologia também é vista pelo diretor florestal da Eldorado Brasil como decisória para o crescimento do setor. “A chegada de tecnologias digitais, de imagens, e conectividade no campo que alterou a maneira de se conduzir um projeto agrícola ou florestal, estabeleceu um novo protocolo entre a agronomia e a Economia”, declara Germano Vieira.
Meio Ambiente

Antônio Joaquim, CEO da Duratex
Neste mês de julho, a Duratex comemorou os 25 anos da sua primeira certificação FSC. Um marco importante não só para a empresa, mas para todo o setor, afinal a obtenção do selo atesta o comprometimento com a gestão responsável dos recursos florestais com impactos positivos, tanto para a empresa quanto para o meio ambiente e a população.
Atualmente, mais de 7 milhões de hectares são certificados na modalidade de manejo florestal e envolve 131 operações, entre áreas de florestas nativas e plantadas. Esta mudança também foi analisada pelo CEO da Duratex. “A legislação avançou muito no país e com isso o debate foi se tornando mais complexo e ativo, sendo parte importante de toda operação florestal nos dias de hoje”, reforça Antonio Joaquim.
Esta relação de equilíbrio, na visão de Germano Vieira, permitiu o aumento do conhecimento da interação planta/ambiente. “Graças a ele tem-se fortalecido muito um melhor uso de recursos naturais como insumos e água utilizados para produção de alimentos e madeira”.
E o futuro?
Os profissionais são unânimes em relação ao futuro do setor, pois a sua vocação já foi comprovada e uma base sólida foi construída nos últimos anos. “Somos hoje benchmark de produtividade global, sendo beneficiados tanto por fatores naturais, como também pelo nível de tecnologia desenvolvido no Brasil, que é referência global. A globalização encurtou as distâncias, gerando mais possibilidade de intercâmbio de conhecimento”, avalia o CEO da Duratex.

Manoel Moreira, engenheiro florestal
Chico Moreira vê o futuro como promissor, graças ao desenvolvimento tecnológico, mas divide preocupações a médio prazo, em relação ao futuro da madeira sólida tanto na área de florestas plantadas como na de florestas nativas. “Na primeira, pela falta de incentivo ao replantio dos maciços que vão sendo paulatinamente substituídos pela agricultura, devido aos preços da madeira. Na segunda, pela pressão natural da sociedade pela conservação do que ainda resta e pela incompetência dos órgãos responsáveis em estabelecer áreas de manejo sustentável de tais florestas”, alerta.
Já Germano Vieira chama atenção para as mudanças climáticas. “Algumas previsões, se confirmadas, trarão um desafio enorme para produção de madeira na escala e nas regiões do país onde essa atividade se concentra atualmente. Essa alteração no ambiente, irá requerer um outro protocolo silvicultural, conhecimentos ainda mais aprofundados sobre genética das plantas e sua adaptação ao novo ambiente, fazendo-se necessário a criação de espécies locais mais bem adaptadas, além de um maior cuidado com novas pragas e doenças”, afirma o diretor da Eldorado Brasil.
Por Giovana Massetto











