
O Brasil é líder em número absoluto de cirurgias plásticas entre adolescentes de 13 a 18 anos: foram 83.655 operações deste tipo apenas em 2018. Isso representa 4,8% do total de plásticas feitas no país, em todas as faixas etárias. Os dados são do último censo da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP).
Segundo a instituição, não foi possível levantar quantos desses procedimentos foram por motivos unicamente estéticos e quantos foram reparadores ou reconstrutores. Mas sabe-se que as operações mais comuns para quem tem menos de 18 anos foram duas: rinoplastia — ou plástica no nariz — e aumento das mamas.
Beatriz Malafaia lembra que, aos 14 anos, recorria a muita maquiagem e sutiã de enchimento para tentar esconder os “defeitos”. Foi nessa época que decidiu fazer plásticas. Pôs o projeto em prática dois anos depois, aos 16. Fez, no mesmo ano, cirurgia no nariz e o aumento dos seios.
“Na adolescência é tudo muito estranho, a gente fica meio desproporcional, é uma fase meio ‘patinho feio” — afirma Beatriz, que agora tem 22 anos de idade.
Para a coordenadora do Núcleo de Doenças da Beleza da PUC-Rio, Joana de Vilhena, esse cenário existe porque a beleza — ou melhor, um padrão bem específico do que seria a beleza — ainda é frequentemente vista como “o único parâmetro de identidade feminina”.














