
O Espírito Santo registrou um aumento de 63% nas ocorrências de desastres ambientais provenientes das mudanças climáticas nas últimas três décadas. Foram 309 casos entre 1991 e 2001 e 839 registros entre 2011 e 2021. Os dados são da Coordenação Estadual de Proteção e Defesa Civil (Cepdec). Nesta terça-feira (5), a Frente Parlamentar para a Análise e Proposições para as Mudanças Climáticas da Assembleia Legislativa (Ales) visitou a coordenação para avaliar como o Espírito Santo está se prevenindo para futuras intempéries climáticas.
O coordenador adjunto da corporação, tenente-coronel Ferrari, explicou como os avanços tecnológicos estão contribuindo para a prevenção de novas tragédias no estado. “A Defesa Civil mudou muito de dez anos pra cá. A gente criou estruturas regionais, para ter um apoio mais próximo ao município, para fortalecer a Defesa Civil municipal”, explicou.
“A Defesa Civil estadual entra quando a capacidade do município é extrapolada. Então, quanto mais forte for o município, menos ele precisa da nossa entrada. E ele consegue dar uma resposta mais próxima, mais rápida, ao cidadão, que está ali residindo no município. A gente tem feito essa estrutura de capacitação para os municípios, nas diversas áreas da defesa civil: análise de risco, elaboração de projetos, uso de ferramentas”, completou o coordenador.
Resposta rápida
Uma das prioridades da Defesa Civil é melhorar o tempo de resposta das ações de combate aos efeitos causados pelas intempéries climáticas. “Acontece o desastre, rapidamente o município consegue solicitar e receber essa ajuda humanitária. Nossa rede de monitoramento de dados meteorológicos e nosso sistema de alerta também mudaram muito nos últimos dez anos. Hoje a gente tem praticamente 91% do território coberto por estações automáticas de monitoramento hidrometeorológico, então a gente consegue ter dados mais precisos”, comentou.
“A gente tem um sistema de alerta muito mais avançado do que a gente tinha e a gente ainda está caminhando para melhorar isso. Para poder, em detectando que vai acontecer um evento climático extremo, o cidadão possa ser avisado, para o município poder ser avisado, se preparando antes do evento e minimizando os danos, os prejuízos e até as perdas de vidas humanas”, concluiu.
Ao ser questionado sobre os impactos de um evento climático como o que ocorreu em dezembro de 2013, quando as fortes chuvas no estado chegaram a deixar mais de 55 mil pessoas desalojadas, causando 24 óbitos no Espírito Santo, o tenente-coronel garantiu que os danos seriam certamente menores. “Os impactos em si seriam menores porque a gente tem já dez anos trabalhando para tentar prevenir desastres nos municípios. (…) os impactos acontecerão, porque os desastres extrapolam a preparação. Mas a nossa capacidade de responder melhorou muito”, opinou Ferrari.
Visita técnica
Após a apresentação da Defesa Civil, o presidente da Frente Parlamentar, deputado Mazinho dos Anjos (PSDB) realizou uma visita técnica à estrutura da coordenação e ficou bem impressionado. O parlamentar acredita que o Estado está se preparando bem para enfrentar as anunciadas intempéries climáticas previstas para os próximos anos.
“Nos mostrou um bom panorama. Em 2013 nós tivemos o maior acidente climático da história do Espírito Santo, com enchentes por todo o estado. Num momento em que a gente tinha uma estrutura muito incipiente, mas foi feita uma decisão político governamental de Estado para reestruturar a Defesa Civil, para chegar onde nós chegamos hoje, em 2023, dez anos depois”, disse.
Mazinho destacou os avanços tecnológicos obtidos na última década e afirmou que a Defesa Civil está com um “prédio inteligente, que dá todo suporte, principalmente com indicadores e estudos anteriores aos desastres, para que tanto a defesa civil, como a população possa se prevenir, antes que aconteça qualquer tipo de desastre”.
“Também investimentos para facilitar a tramitação de recursos para atendimento às Defesas Civis municipais. Então o Estado do Espírito Santo vem investindo bastante na Defesa Civil, para tornar essa capacidade de resposta para a população, tanto na prevenção, quanto no embate aos desastres, que possam vir a ocorrer no Espírito Santo”, pontuou o tucano.
“Nossa visita foi pra isso, pra conhecer o espaço. Foram apresentados diversos projetos que estão sendo estudados para melhorar a infraestrutura aqui e o atendimento da defesa civil. A Assembleia Legislativa está à disposição da Defesa Civil do Estado do Espírito Santo, para que quando esses projetos forem para a Assembleia, a gente os abrace e tenha capacidade de defendê-los”, finalizou.
Os deputados Dr. Bruno Resende (União) e Delegado Danilo Bahiense (PL), membros efetivos da frente, também participaram da visita. “Nós fizemos essa visita, inclusive, para conhecer a tecnologia usada e nosso estado. Eu acho que o nosso Estado está muito bem preparado para atender a todas as demandas, que porventura venham a ocorrer”, comentou Bahiense.
(Fonte: Assembleia Legislativa do Espírito Santo)














