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MP Maio Amarelo

Setor de cibersegurança ‘explodiu’,mas não tem mão obra qualificada

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A área apresenta o maior déficit global de talentos, segundo levantamento do Google for Startups.(Imagem: Fábio Tito/G1)

Nunca a segurança da informação foi tão valorizada como de 2020 para cá. Isso porque só depois da pandemia que muitas empresas entenderam o quanto esse pilar é essencial para elas (entenda os motivos abaixo).

O problema é que o número de pessoas para trabalhar com segurança ainda é baixo por causa da falta de mão de obra qualificada. Para se ter ideia do problema, a área apresenta o maior déficit global de talentos, segundo levantamento do Google for Startups.

E olha que os salários são bem altos, podendo chegar a quase R$ 40 mil.

O g1 conversou com profissionais de cibersegurança, executivos de grandes empresas e associações que representam o setor. Com base nestas conversas, a reportagem traz, a seguir, uma série de dicas práticas para quem deseja iniciar ou migrar para o ramo da proteção.

O salário é alto mesmo?

Marina Ciavatta, profissional de segurança da informação, conta que cibersegurança paga bem e que existe um plano de carreira muito amplo dentro das empresas, ou seja, é difícil ficar estagnado e, assim, o salário também aumenta.

“É uma área que tem muito fluxo de pessoas, então, é comum ver o pessoal migrando de uma empresa para outra em intervalos curtos de tempo. Obviamente, é nessa que o salário sobe”, explica Ciavatta.

Dados da consultoria Robert Half compartilhados com o g1 mostram os profissionais mais procurados e os respectivos salários:

  • Analista de Governança, risco e compliance (GRC): entre R$ 11.850 e R$ 18.150
  • Especialista de Governança, risco e compliance (GRC): entre R$ 17.750 e R$ 22.600
  • Pentester: entre R$ 13.400 e R$ 18.400
  • Analista de DevSecOps: entre R$ 14.650 e R$ 24.500
  • Coordenador de cibersegurança: entre R$ 17.350 e R$ 23.750
  • Gerente de cibersegurança: entre R$ 23.100 e R$ 38.700

Para um cargo de analista de segurança da informação, que é a porta de entrada para quem quer construir carreira nessa área, a remuneração média está entre R$ 4 mil e R$ 8 mil por mês, segundo o Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife (Cesar).

 O que devo estudar para começar?

Como os holofotes para esse universo chegaram há pouco tempo, os cursos de segurança são relativamente novos e ainda existem poucas opções disponíveis no mercado. Ué, então, por onde começar? 

  • Por outras graduações de TI, como sistemas de informação, ciência da computação, rede de computadores e desenvolvimento. Elas são importantes para se ter uma base, mas depois é preciso procurar um curso técnico de segurança, por exemplo, para se especializar;
  • Pesquise por cursos livres ou graduação, como defesa cibernética e segurança da informação. Eles são novos e ainda não estão disponíveis amplamente em todas as instituições de ensino, mas já ajudam.
  • Frequente eventos de tecnologia, afinal, eles são ótimos para fazer contato, buscar mentorias e encontrar oportunidade profissional. Pessoas ouvidas pelo g1 contam que conseguiram emprego graças a essas oportunidades (veja opções de eventos/grupos abaixo).
  • Busque por conteúdos e estude tipos de ameaças cibernéticas, como malware, ransomware, phishing, engenharia social e ameaça persistente avançada.

 Opções para encontrar a sua bolha

Profissionais consultados pelo g1 indicaram alguns hackerspaces (junção de hacker e espaço) gratuitos ou sem fins lucrativos que podem receber e orientar quem está começando. Veja algumas opções:

  • Garoa Hacker Clube: comunidade de segurança que promove a troca de conhecimentos em TI para quem está em São Paulo, daí o termo “garoa”.
  • Mate Hackers: grupo que realiza encontros, palestras, cursos e outras atividades de infosec para quem está em Porto Alegre (RS).
  • Devs Norte: considerada a maior comunidade de tecnologia do Norte do Brasil. Tem eventos, palestras, workshops para promover a educação na área.
  • Menina de Cybersec: liderada por Sabrina Ramos, a comunidade é voltada para iniciantes em infosec com materiais de estudo, lives, podcasts e cursos gratuitos.
  • Women in Cybersecurity (WOMCY): organização formada por mulheres e com programas para elas entrarem e desenvolverem carreira em infosec.
  • Mente Binária: projeto gratuito de educação e conteúdo sobre tecnologia da informação que recebe iniciantes desse universo.
  • Hackers do Bem: programa formado em parceria entre a Escola Superior de Redes da RNP e o Senai, que oferecem formação gratuita (EAD) em segurança da informação.

 Como é o trabalho?

A pessoa que escolher cibersegurança não necessariamente encontrará vagas apenas em companhias de tecnologia. “Qualquer empresa, de qualquer segmento e tamanho, assim como os órgãos públicos, está precisando de profissional de segurança”, diz Edivaldo Sartor, da Fiap.

As oportunidades também existem em companhias de varejo, comunicação, saúde, educação, alimentos, bebidas e finanças. Mas, segundo a consultoria Robert Half, os segmentos que lideram as contratações são:

  • Mercado financeiro;
  • telecomunicações;
  • plataformas de e-commerce (vendas);
  • e o mercado farmacêutico.

E são muitos pilares dentro de cibersegurança para a pessoa escolher trabalhar, mas, para os especialistas, os principais são estes:

Segurança ofensiva (Red Team): esse profissional trabalha em busca de vulnerabilidades de segurança dentro da empresa. A pessoa do Red Team simula invasões, como um cibercriminoso faria, para encontrar falhas e alertar a equipe da área defensiva;

Segurança defensiva (Blue Team): os profissionais dessa área atuam para consertar essas falhas identificadas. Seu objetivo número 1 é fazer com que as empresas não sejam invadidas;

Governança, risco e compliance (GRC): a pessoa que escolher esse pilar pode estruturar, aplicar e monitorar os processos legais de segurança. É ela, por exemplo, que acompanha se a empresa está seguindo a LGPD. Para quem escolher GRC, estudar direito digital é um diferencial importante.

Popularmente, o profissional da área ofensiva também é conhecido como “hacker do bem” ou “hacker ético”. Só que esses termos são considerados negativos pela comunidade. “Não existe ‘hacker do bem’ e ‘hacker do mal’. O ‘hacker do mal’ é meramente um criminoso”, diz Marina Ciavatta, especialista em conscientização em segurança da informação.

No dia a dia, esse trabalhador pode atuar “colocando a mão na massa”, lidando com possíveis ataques ou identificando problemas.

É uma profissão que trabalha analisando códigos, ou seja, verificando como um vírus se comporta e analisa tipos de ameaças e possíveis consequências. Ao mesmo tempo, ele deve estar sempre em alerta, dizem pessoas do setor.

Mas não é só isso. Também é possível trabalhar liderando equipes de segurança da informação.

O trabalho pode ser feito em modelo híbrido (presencial e home office) ou apenas em home office. Trabalhar isolado, sem contato com outras pessoas, não é comum, mas pode acontecer em casos específicos.

“Pode acontecer de a empresa ‘entregar’ um vírus para uma pessoa e ela ter de se trancar numa sala para focar e descobrir como esse risco se comporta. Esse perfil tem espaço, explica Edivaldo Sartor, professor do curso de graduação em defesa cibernética da Fiap.

Os profissionais também contam que a área é cercada de pressão. Isso porque a responsabilidade em garantir a empresa protegida de ataques cibernéticos e de vazamentos é grande. Por isso, casos de burnout e depressão são cada vez mais recorrentes, segundo eles.

Esta reportagem faz parte da série “Carreira em tecnologia: segurança da informação”, do g1. Com base em relatos de profissionais, professores, executivos de grandes empresas e associações que representam o setor, a série mostra como está o mercado de cibersegurança no Brasil.

(Fonte: G1)

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