
O governador Renato Casagrande (PSB) anuncia nesta quinta-feira (25) medidas mais extremas para reduzir a transmissão da Covid-19 no Espírito Santo. Uma das principais é a paralisação total do transporte coletivo durante oito dias. A suspensão acontece a partir deste domingo (28) até o domingo seguinte.
Entre elas estão:
– Novos setores foram atingidos e terão que fechar até o dia 4 de abril. São eles: comércio atacadista, lojas de material de construção, casas de autopeças e oficinas, agências bancárias, casas lotéricas e pesca no mar.
– Suspensão do transporte público municipal e metropolitano. Transcol suspenso entre 28 de março e 4 de abril. Transporte intermunicipal e interestadual suspensos. A Rodoviária de Vitória estará fechada. Transporte ferroviário também suspenso.
– Transporte de cargas será mantido.
– Unidades de saúde continuarão funcionando. Vacinação também continua.
– Vacinação contra a covid para trabalhadores da Educação e da Segurança Pública a partir de 15 de abril.
No dia 16 de março, o governador anunciou fechamento total no comércio, escola e outras atividades no Estado. A medida entrou em vigor há uma semana e, até o momento durará 14 dias. Na ocasião, ele justificou o anúncio das medidas. “Estamos na pior fase da pandemia, enfrentando um ambiente de guerra”, reconheceu. Ele apontou como as principais razões para a disparada do contágio no Brasil a demora na vacinação, a falta de uma coordenação nacional das medidas sanitárias, o surgimento de novas cepas do coronavírus e o negacionismo de parte da sociedade sobre a gravidade da pandemia.
Confira o que falou o governador Renato Casagrande:
Dados preocupantes
Boa tarde. Nós estamos hoje numa quinta-feira, no oitavo dia da quarentena. Estamos cumprindo a quarentena que faremos até 31 de março. Avançamos nesses oito dia mas precisamos reconhecer que nós precisamos avançar mais. É importante que a gente compreenda que os dados que a gente tem devem deixar todos os capixabas preocupados. A partir desses dados, os capixabas devem ficar preocupados e que tomem medidas para reduzir a interação e melhorarmos os indicadores que estamos discutindo com vocês todos os dias.
Realidade do Espírito Santo x Outros Estados
Não é uma realidade capixaba. Nós aqui estamos atendendo a todos que demandam um leito, um leito de UTI, de enfermaria. Muitos Estados não estão conseguindo atender como conseguiram atender no passado. Muitos perderam a vida esperando um leito de UTI. Aqui no Estado do Espírito Santo, estamos atendendo a todo mundo.
Taxa alta de ocupação de leitos de UTI
Por que temos que avançar mais? A taxa de ocupação de leitos desde o dia em que decretamos a quarentena ela está se mantendo acima de 90%. Mesmo com a gente abrindo leitos todos os dias praticamente. Hoje, estive em Colatina, abrindo leitos de enfermaria. Ontem, na Santa Casa de Misericórdia de Vitória, abrimos leitos de UTI e de enfermaria. Amanhã, estaremos num hospital particular da Serra, abrindo mais leitos de enfermaria. Mesmo abrindo leitos todos os dias a taxa de ocupação de leitos de UTI permanece acima dos 90%. Essa é uma razão que exige que a gente possa avançar mais.
Sistema no limite
Abrimos quase 100 leitos a mais nesses 24 dias e tivemos um acréscimo no nosso sistema de 225 pacientes. Isso mostra a nossa preocupação. Eu tenho dito que estamos conseguindo estar um passo à frente da doença mas ela está alcançando nosso calcanhar. Se nesse ritmo a gente continuar, daqui a pouquinho poderemos não ter leito para todas as pessoas.
Mais leitos
Vamos abrir, até o fim de abril, mais de 400 leitos, de UTI e de enfermaria. Nós já abrimos um conjunto onde tínhamos 1636 leitos de UTI e de enfermaria para covid. Ontem, 24 de março, nós tínhamos 1636 leitos (819 de UTI e 817 de enfermaria). Vamos abrir mais 400. Chegaremos a mais de 2 mil leitos de UTI e enfermaria para tratamento de covid no Estado. É o maior volume quantitativo de leitos que a gente tem em proporção per capita no Brasil. Passaremos de 2 mil leitos.
Situação dos municípios
Outra razão que exige nossa preocupação e tomando decisões que sejam importantes neste momento é que as unidades de atendimento nos municípios estão no limite. Basta conversar com o secretário municipal de Saúde e com o prefeito da sua cidade, você vai verificar que essas unidades estão no limite. Sempre com leitos de estabilização praticamente todos ocupados. A pressão sobre o sistema de saúde é muito forte.
Média móvel de mortes
Outra razão é que o número de óbitos e a média móvel dos últimos 14 dias são crescentes. Lá atrás, na primeira fase, chegamos a 38 óbitos em média por 14 dias. Agora, na segunda fase, em dezembro, chegamos a 28 mortes. E nós já estamos em 31! A média de óbitos nos últimos 14 dias é de 31. Fomos a 38, depois 28 e vocês estão vendo nos últimos dias que nós estamos batendo recorde de registro de pessoas que estão perdendo a vida infelizmente. Ontem, foram 72, anteontem 57, há três dias foram 53, então, a gente fica torcendo para que este número possa reduzir. Mas, estamos vendo que, nesta fase, o óbito está crescente, atingindo pessoas de todas as idades, sobretudo jovens e pessoas abaixo dos 60 anos. A nova variante está mais agressiva e é preciso que a gente possa compreender a necessidade da gente avançar mais.
Casos ativos
A outra razão é o número de casos ativos. Quem acompanha pelas redes sociais ou pelo nosso painel covid está vendo que está crescendo o número de ativos comparado com o número de pessoas curadas. Essa são as razões que exige que a gente tome novas medidas.
Quarentena até 4 de abril
Estamos estendendo a quarentena que terminaria no dia 31 de março para o domingo de Páscoa, em 4 de abril. Assim, a quarentena que iria até 31 de março está estendida até 4 de abril. Os efeitos do decreto, que será modificado pelas novas medidas (sendo publicado amanhã), irão se estender até o dia 4 de abril.
Retorno da matriz de risco em 5 de abril
A partir de 5 de abril, uma segunda-feira, a gente volta à nossa gestão para matriz de risco, classificando os municípios em risco baixo, alto, moderado, extremo. Lógico, se a ocupação de leitos ficar acima de 90%, nenhum município ficará em risco baixo. Todos ficarão ou em risco alto ou em risco extremo ou em risco moderado. Nós voltaremos à gestão da matriz de risco a partir de 5 de abril, numa segunda-feira.














